quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Receita do sentido da vida

Pegue todas as teorias filosóficas e poemas que tratam do tema. Misture tudo. Leve à mente. Após uns trinta minutos ou anos (dependendo da temperatura do forno) você já pode experimentar. Rende uma porção, pois é uma receita de auto-conhecimento.

* Lao-Tzé: Autor do célebre livro “Tao-te-Ching” (O livro do caminho da verdade), defende a fuga do pensar, pois crê que os pensamentos são “uma coisa superficial”, que se usa para persuadir os outros e “mais nocivo que benéfico. Assim, o caminho sugerido é uma vida simples, onde se rejeita o uso do intelecto(da mente) e busca-se o silêncio. Por quê? Porque todas as coisas na natureza trabalham em silêncio. Passam a existir, exercem a função que lhes cabe, nada possuem e, depois de tudo, desaparecem, retornam à origem, ao descanso, seguindo o seu destino. Por trás disso há uma lei eterna e conhecê-la nos faz sábios. E como se transmite a sabedoria se ninguém falar? Segundo Lao-Tze, por meio do exemplo e da experiência individual de cada pessoa

* Heráclito: “Por que o fogo não é sempre fogo e por que é ora água, ora terra? (por que as coisas mudam?) Porque a vida é um jogo”. O sentido da vida, para ele, consistiria em uma eterna mudança das coisas.

* Demócrito: Não muito diferente de Heráclito, para ele só há mistura e separação das coisas em uma existência sem começo e nem fim, eterna. Para ele “a vida sem festas é como um caminho que não tenha onde nos hospedar”.

* Sócrates: a vida requer reflexão, do contrário ela não em sentido. Perguntar o por quê das coisas antes de agir precipitadamente, falar sobre a sabedoria e as demais virtudes e como podemos alcançá-las, esta é, para ele, a maneira correta de viver. Já viver na ignorância tem pouco valor para ele.

* Diógenes: Via-se como um cidadão do mundo, ultrapassando as fronteiras das cidades (polis). Seu propósito, objetivo de vida, é fugir dos prazeres, guerrear contra eles, a fim de purificar a vida e a alma. Seu ensinamento: viver através de uma vida árdua, onde o único bem é o manto que veste, onde dorme no chão, bebe água e come o que encontra ao acaso e foge de qualquer amizade diferente de outro pensador, Epicuro, que via nela a felicidade possível de ser alcançada.

* Marco Aurélio: Dizia que somos uma parte do universo e nem nossa forma e nem nossa matéria perecerão. Não deixe de haver na alma disputas internas, nem se afaste dos outros, pois, por natureza, somos todos amigos. Assim, verá as coisas humanas como “fumaça e nada mais”.

* Thomas Hobbes: o fim, a finalidade da vida, é buscar o poder. E isto se faz através da riqueza, da honra, da beleza, da eloqüência, da força física e do conhecimento, embora veja a Ciência como um pequeno poder, pois ela é compreendida por poucos.

* Pascal: O sentido da vida e toda a dignidade de nossa existência reside no pensamento. Devemos investigar dentro de nós e não a nossa volta, nem em bens materiais. Se procuramos um sentido no espaço físico e em bens, o universo, pelas suas dimensões nos “tragará”, devorará como um ponto.

* Kant: O fim (finalidade) da existência não é ser feliz, mas, por meio do uso da razão, dirigirmo-nos à construção de uma boa vontade e, com ela, buscar Deus.

* Hegel: Diz ele que “somos espíritos finitos em busca do infinito. Estamos amarrados à matéria, (mas) mantendo o firme desejo de não ser o que a natureza nos tornou. Nossos pensamentos procuram a mais alta região da verdade” e, assim, podemos fugir do constrangimento que o finito nos impõe. E na negação disso que podemos alcançar o absoluto, a totalidade suprema, Deus. Quando vemos nosso corpo ou um objeto externo, não devemos pensar que isto é o que existe, mas, sim, que isto é parte de algo maior. O mundo, para ele, é o (único) espírito que quer conhecer a si próprio.

* Jean-Paul Sartre: a vida não tem um sentido a priori, antes da vida, antes de nascermos e vivermos. Nós é que podemos lhe dar um sentido. Nem o homem pode ser um fim em si mesmo, porque, também ele está sempre por fazer-se. O fim, portanto, acrescenta, só pode estar fora de nós, especialmente na vida em sociedade e na participação política.

* Mário Quintana:
- “Se as coisas são intangíveis... Ora, não há motivo para não querê-las. Que triste os caminhos se não fora a presença distante das estrelas”
- “Nada jamais continua, tudo vai recomeçar”
- “Eu estava dormindo e me acordaram. E me encontrei num mundo estranho e quando começava a compreendê-lo um pouco já era hora de dormir de novo”
- “Vale a pensa viver mesmo que seja para dizer que não vale a pena”

Nenhum comentário: