quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Livre-arbítrio: uma piada de mau gosto.



Nunca algo se enraizou tão forte quanto a idéia de que somos nós que tomamos as decisões de nossas vidas. O sistema legal baseia suas punições nessa crença. Por liberdade só posso denotar aquilo que Thomas Hobbes escreveu: ela é a capacidade de nos movermos no espaço, de não ter restringido nosso ir e vir. Só isso. Quanto a ser capaz de pesar as alternativas, isto é balela. Peguemos um exemplo simples: quero escolher entre usar uma camiseta azul ou amarela. Tenho estas alternativas presentes a minha mente ao mesmo tempo? Negativo. Se tivesse em meu campo de visão as cores azul e a amarela simultaneamente não perceberia nenhuma delas, mas uma mistura delas, isto é, a cor verde! Vê-se claramente que não temos duas ou mais alternativas diante de nós, para que possamos escolher uma delas. O que ocorre é que uma alternativa se apresenta primeiro, seguida de outra ou outras e o tempo que separa o aparecimento desta seqüência de alternativas é imperceptível, o que nos faz crer - ilusoriamente - em uma suposta liberdade de escolha.
P.S.: Nem entrei na questão do inconsciente e suas operações mentais internas, mas creio que todas as nossas escolhas só há uma alternativa, aquela mais forte, e, assim, todas as decisões são inconscientes! Não é estranho, maravilhoso e assustador, não ter mais o chão sob os nossos pés?

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