terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O mundo perdeu uma überFrau


No dia 25 de novembro de 2007, às 9h15 de um domingo faleceu minha mãe. Em quatro dias uma visita curta para fazer exames e conter uma infecção urinária se tornou uma infecção renal e daí... uma infecção generalizada. O que um filósofo pode dizer sobre isso? A morte vista como uma senhora alta, com manto escuro, cobrindo o rosto, aliás, cobrindo a caveira e o esqueleto, como foice na mão, deixa de fazer sentido: a morte é o desligamento do corpo, uma interrupção do sofrimento, uma vez que o corpo não pode mais funcionar bem. Até hoje, 22 de janeiro, eu procuro relembrar as imagens que vi, as visitas ao quarto, pois parece que falta alguma imagem, pois a experiência se mostra imcompleta: como um ser vivo deixa de ser vivo. Óbvio dirão os médicos, os rins e o fígado deixam de funcionar. Claro, mas porque uma parte se sobrepõe ao todo. Isto é que é incompreensível! No velório havia um mural onde as pessoas podiam escrever mensagens à minha mãe. E eu, filósofo, leitor de pensadores antigos como Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Descartes, Sartre, não escrevi nada. Por quê? Porque me pareceu mais correto seguir Lao-Tzé: foge do pensar! Todas as coisas na natureza trabalham em silêncio!
Perguntaram-me se eu acreditava em uma vida depois da morte e eu respondi que não: nós e a minha mãe já não somos mais os mesmos que fomos a milésimos, milionésimos de segundos atrás. Assim, qual deste bilhões, trilhões de Antonios mereceriam a eternidade?

O mundo perdeu uma "supermulher", alguém que amava demais tudo o que fazia e se destacava sobre o rebanho, como dizia Nietzsche. Ele, também, disse que estas pessoas raras não deixam seus caracteres para descendentes, o forte não se perpetua e, além disso, tem uma vida breve.

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