“O qe doe, o qe eizaspera, o qe qonfrange ainda a vontade a mais forte – é ter lutado inseçantemente qontra os autores de tantos qrimes”... (Qorpo Santo, Novembro de 1868)
Em época de Feira de Livros, é oportuno perguntar: para onde vai a nossa língua “mater”, propriedade de todo o povo brasileiro? Que queremos uma língua perfeita, da qual nos orgulhemos, que os nossos alunos a aprendam sem perguntar sobre suas contraditórias regras, ninguém tem qualquer dúvida. Mas, como chegar lá?
Um bom método para buscar respostas nos foi dado no século XVI por Descartes: devemos comparar algo que queremos conhecer com aquilo que já conhecemos. Em teoria é fácil, mas na prática... Propomos, aqui, comparar o interesse de muitos gramáticos brasileiros por uma unificação das variações ou “dialetos” de nossa língua portuguesa com o sistema comunista, no qual uma “nomenklatura” entende possuir um direito natural de estabelecer regras e vocábulos oficiais, mediante um simples decreto. De outra parte, imaginemos os defensores do liberalismo político e econômico: dirão eles que nenhuma artificialidade fará o que apenas o mercado – editorial, por exemplo – pode fazer, isto é, uma língua só se afirma como universal se ela tiver características que facilitem esse objetivo. O inglês, por exemplo, é fácil de aprender, têm regras muito simplificadas, basta ver a conjugação dos verbos (I study, you study, he/she/it studies, we study, they study), onde só se observa variação em uma pessoa do singular, para citar um exemplo. Além do mais, as pessoas e os mercados preferem-no, pois é com ele que comercializam com a maior potência econômica do século XX e, por mais algum tempo, também no século XXI. Difícil, contudo, crer que nossos filhos ou netos venham estudar o mandarim, apesar de a China já ser a nação que mais exporta no mundo: é que há milhares de ideogramas, o que torna difícil seu aprendizado e uso. Há exemplo no passado disso: a língua grega permaneceu em uso mesmo após a decadência de Atenas e das outras cidades-estado gregas.
E como fica o nosso idioma? Vejo duas alternativas:
(a) que nossos gramáticos inspirados pelos melhores propósitos tentem a poucas mãos unificar nossa língua com as suas irmãs d’além-mar, o português de Portugal e o das antigas Colônias portuguesas na África, destacadamente, Angola e Moçambique o que levará uns quinhentos anos se tudo der certo ou, então,
(b) simplificarmos nossa língua portuguesa, do Brasil, inspirados em alguém radical como o escritor gaúcho Qorpo Santo, por exemplo e, paralelamente, rezar e, também, pressionar para que os governos brasileiros permaneçam retos no objetivo do crescimento econômico e da distribuição justa de renda, para que, finalmente, um dia, o Brasil faça parte do pequeno grupo de países realmente desenvolvidos. Só assim, haverá uma unificação da língua portuguesa, tendo como centro o Brasil. Pensar que possa haver uma unificação de com três centros distintos (Brasil, Portugal e África, é um tipo raro de ignorância intelectiva.
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