quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Ano 2034: o fim da violência no Brasil.

Não há quem não deseje saber se o Brasil dará ou não certo, se resolverá um dos mais graves problemas: a violência. Quereis conhecer o futuro? Aqui no ano de 2034 os roubos, furtos, seqüestros–relâmpagos, assassinatos são tão raros que as pessoas têm dificuldade de entender a que coisas estas palavras se referem. Mas, como é que as pessoas do futuro conseguiram pacificar a sua sociedade? A mudança de percepção ocorreu quase ao mesmo tempo em que foi lançado no cinema uma obra escrita na primeira metade do século XX: “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley. É uma obra de ficção onde no século no futuro as pessoas nasciam “em vitro” em laboratórios privados e não mais em úteros. As doses de oxigênio eram ministradas aos fetos de três modos: alguns recebiam o máximo, outros, recebiam a metade e outros, uma porção diminuta. Os primeiros se tornavam líderes daquela sociedade futurista, outros burocratas de nível médio e a maioria, trabalhadores braçais.
O que causou o maior alvoroço na intelectualidade e mesmo na passiva classe média foi que um intelectual acusou a todos de cegueira, pois pensavam que o filme se tratasse de um olhar sobre um futuro muito distante, quando, na verdade, estavam todos olhando para a própria imagem refletida presente. Causou tanta comoção esta nova interpretação daquele filme que o governo não teve outra alternativa: investir pesado em educação, remunerando os professores a um tal patamar a ponto de que eles se sentissem novamente líderes de uma nova geração. Antes, mal adentravam nas salas de aula e logo desistiam, já sem autoridade nenhuma. Agora, entre os professores encontrávamos pessoas portadoras de teorias inéditas concebidas por eles mesmos e não mais carregadores de teorias importadas. Antes, o monólogo entediava os discípulos, agora a busca por aprofundar áreas de interesse os tornava pesquisadores em tempo integral e não conhecia limites. Havia mais escolas e fechavam-se presídios.
Os adultos que estivessem presos e que tivessem forçado suas vítimas a fazerem coisas que não desejavam, permaneceriam presos até que pagassem a sua pena, agora com celas refrigeradas, pois nem animais selvagens merecem torturas e com bibliotecas e com um tempo para trabalhar e, assim, pagar o custo de sua manutenção. Uma alternativa barata foi pôr em cada cela uma bicicleta que, quando em movimento, gerava energia elétrica.
Sobre as drogas, a principal causadora de violência no tempo em que vocês estão vivendo aí, elas foram legalizadas, mas somente para adultos com emprego fixo e estabilidade emocional e deixaram de ser novidade, pois quem pode desejar destruir a si mesmo, a única coisa que acontece com quem as consome? Quando alguém as oferece na entrada de bares específicos para o seu uso, a maioria das pessoas responde: por que eu destruiria meu corpo? O que antes era um modismo – perguntar o “por quê” das coisas-, agora é um sólido costume.
São outros tempos, aqui. Só há um único imposto eletrônico, deduzido a cada débito realizado. Todos pagam uma taxa de nove por cento, na média. Usamos o gás carbônico da atmosfera para produzir proteínas e carboidratos e, assim, não matamos os animais e nem devastamos florestas. Os carros dirigem-se sozinhos e, por isso, ninguém mais insiste em acertar os postes que, aliás, são todos subterrâneos, à exceção daqueles que nos dão as últimas notícias, incluindo esta que acabo de ler: “O ministério da saúde adverte: sorrir em excesso pode provocar cãibras nos maxilares”.

Nenhum comentário: