quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Os sábios chineses e o silêncio

Nada na vida é preto ou branco. O silêncio que Lao-Tzé ensinou seus pares a praticar pode ser o mesmo silêncio que faz com que as fábricas mantenham milhares ou milhões de escravos-operários.
Acredito que há momentos em que se deve pensar, especialmente quando há um "empate" entre as alternativas em nossa mente; há outros momentos em que o pensar é inútil. Aliás, vou mais longe: acho que não pensamos porque temos livre-arbítrio, mas, sim, paramos para pensar, porque não sabemos o que fazer. Isto parece óbvio, como tudo na nossa complexa existência... O problema é que falar é uma continuação do pensar e quanto mais pensamos e falamos, pois mais e mais não sabemos o que fazer. Assim, podemos, como Lao-Tzé, não pensar para que não tenhamos dúvidas ou mais dúvidas. Ou, melhor, para que não tornemos um hábito pensar, isto é, não nos condicionemos a pensar mesmo sem necessidade.
O que fazer, então? Sou professor de Filosofia para alunos de Ensino Médio e trabalho com textos antigos visando estimulá-los a pensar. É um erro? Creio que o único critério, sidarta-aristotélico, seja o meio-termo: há um ou mais períodos da vida em que temos dúvidas, especialmente na adolescência, mas duvidar ou pensar não deve ser supervalorizado. É como ter ferramentas em casa: você tem à disposição uma chave de fenda ou alicate, mas você não vive com eles andando por aí.

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