quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Livre-arbítrio: uma piada de mau gosto.



Nunca algo se enraizou tão forte quanto a idéia de que somos nós que tomamos as decisões de nossas vidas. O sistema legal baseia suas punições nessa crença. Por liberdade só posso denotar aquilo que Thomas Hobbes escreveu: ela é a capacidade de nos movermos no espaço, de não ter restringido nosso ir e vir. Só isso. Quanto a ser capaz de pesar as alternativas, isto é balela. Peguemos um exemplo simples: quero escolher entre usar uma camiseta azul ou amarela. Tenho estas alternativas presentes a minha mente ao mesmo tempo? Negativo. Se tivesse em meu campo de visão as cores azul e a amarela simultaneamente não perceberia nenhuma delas, mas uma mistura delas, isto é, a cor verde! Vê-se claramente que não temos duas ou mais alternativas diante de nós, para que possamos escolher uma delas. O que ocorre é que uma alternativa se apresenta primeiro, seguida de outra ou outras e o tempo que separa o aparecimento desta seqüência de alternativas é imperceptível, o que nos faz crer - ilusoriamente - em uma suposta liberdade de escolha.
P.S.: Nem entrei na questão do inconsciente e suas operações mentais internas, mas creio que todas as nossas escolhas só há uma alternativa, aquela mais forte, e, assim, todas as decisões são inconscientes! Não é estranho, maravilhoso e assustador, não ter mais o chão sob os nossos pés?

mineralismo: fim do vegetarianismo

Defendo que matar animais para comer ou para outros comerem é um ato imoral, pois toma um ser vivo como sua propriedade e se não o maltrata neste processo, lhe causando dor, pelo menos, se é responsável por interromper o ciclo de sua vida, as experiências que viveria desde seu nascimento, crescimento, reprodução e morte. Gostaríamos que isto acontecesse conosco, fazendo uso da regra do "imperativo categórico" de Kant, embora ele mesmo ingerisse o suco das carnes que lhe serviam nas refeições?

Contudo, embora não se saiba se os vegetais têm consciência, também, eles são vivos e têm um ciclo de vida. Exclui-los da nossa dieta deveria ser tão sensato quando excluir a carne! Mas, então o que nos resta? Mineral. Água é um mineral, sal é um mineral e - aí surge o problema - não há proteínas e carboidratos na forma mineral! Acho que em relação a minerais como cálcio e outros não haveria problema: há rochas que possuem, apenas seria preciso triturá-los e separálos.

E se estimularmos a reflexão sobre este assunto, logo laboratórios e centros de pesquisa pensarão sobre isso. Aliás, há vantagens em se pensar sobre isso: o CO2 da atmosfera não poderia ser usado para sintetizar alimentos, reduzindo o aquecimento global? Ter uma alternativa "mineral", não reduziria o risco de fome mundial, principalmente se as mudanças climáticas afetarem sensivelmente a agricultura e esta a pecuária? Em um cenário hipotético - uma guerra nuclear - não poderíamos nos utilizar do CO2 que sai do fundo das área de erupção vulcânica que ocorrem na crosta terrestre e oceânica?? Pensem sobre isso.


P.S.: Li o termo "mineralismo" em um artigo de um professor John McCarthy no mesmo período em que pensava sobre esta minha teoria e , por isso, ele é o pioneiro nesta idéia.

o que é educação?


Monólogo ou diálogo, é nisso que se resume as teorias da Educação, conservadora ou progressista? (aliás, as duas contribuições da Pedagogia vêm da área de negócios: a produção da Toyota que rejeita os superespecialistas, como professores que só sabem lecionar, por exemplo, matemática para a 5a série e as pesquisas de Marketing, para conhecer seu´cliente, como vive, o que gosta de fazer, suas preocupações, etc) . Esqueça isso.

O que é que um pobre professor pode fazer quando se vê diante de tantas teorias sobre como educar e para que serve a educação? Minha sugestão é: observe a pessoa que se tornou, seus pontos fortes e procure transmiti-los a seus alunos. Os pontos fracos, aquilo que não aprendeu ou aprendeu de errado, evite, obviamente. Darei meu exemplo pessoal: li muito quando adolescente e tive bons professores de português, o que me fez me expressar razoavelmente bem, por escrito, embora sinto que tenho deficiência em expressar-me oralmente aos outros, expor meus argumentos, por exemplo - isto faltou no meu aprendizado. Aristóteles já falava sobre a importância da retórica, da habilidade de discursar. Ter um conhecimento amplo (ou uma cultura geral) também é importante: sempre me interessei por um pouco de tudo e acho que Schiller estava certo quando observou que um especialista é um ser fragmentado, incompleto.

Quanto ao uso de livros didáticos eles só servem para dar lucro às editoras. Selecionei textos de revistas de circulação nacional, trechos de livros de filosofia antigos, textos de jornais. Não peço que os alunos tragam-nos de casa, pois adolescentes parecem não ter boa memória (brincadeirinha!) Quando forem difundidos nas salas de aula os "laptops" do governo federal, então os alunos procurarão eles mesmos os textos sobre os temas que a Filosofia estuda: o significado de filosofia, como funciona a mente, razão e paixões, bem/mal, política/dialética, estética, ética, sentido da vida, felicidade/superação de fatalidades, liberdade/ determinismo, espaço/tempo/vazio, elementos primordiais, limites do universo. Ao professor, então, caberá ajudar os alunos em suas pesquisas.

Não sei por que existem prédios de Pedagogia. Educar é outro nome para comunicar. As faculdades de comunicação éque deveriam ensinar os professores como educar com eficácia.
O professor tem e sempre terá algo a comunicar ao aluno. Ele comunica os séculos de descobertas filosófico e científicas, em algumas aulas. é errado pensar que não existem verdades universais: "fusão nuclear é a união de núcleos de prótons, neutrons e elétrons", apesar de que nem tudo é verdade e nem tudo é universal. Pode haver diálogo entre aluno e professor? Sim. Mas um diálogo não é sempre simétrico. Há momentos em que um lado comunica mais para o outro do que recebe.
É importante também que o professor exponha suas críticas às teorias antigas e suas próprias teorias, pois do contrário será só um papagaio que memoriza o que os outros disseram ou descobriram.

P.S.: Acredito que John Dewey estava certo quando disse que é a empatia entre o professor e o aluno que faz com que seja possível a aprendizagem, independente se é uma escola tradicional (monologal) ou progressista (dialógica).

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

bebidas alcoólicas também são drogas!


Além de burrice, beber cerveja, vinho, cachaça, uísque, vodka, que nada mais são que sucos de alguma semente e fruto (uva, cevada, milho, etc) mais álcool (aquele com que antigamente se limpavam as janelas e , hoje, colocamos no tanque dos automóveis para seus motores funcionarem, são entorpecentes, drogas. Pergunte para o Conselho Federal de Medicina e observe os usuários e seus comportamentos, bem como, os danos que produzem estas substâncias!

Então, por que estas drogas não são proibidas? Porque os legisladores não fariam leis contra seus gostos! Simples!! Mas, se fizessem, acabaria com seu uso? Não, torná-las ilegais só criaria um mercado paralelo, como o mercado da maconha, cocaína e etc! Melhor do que proibir é ensinar. E dar afeto, antídoto contra a fuga da realidade!

sábado, 26 de janeiro de 2008

não exportar mais commodities

Que país será o Brasil e que futuro terão os brasileiros se nossas metas se limitarem a sermos o maior exportador de commodities do planeta? Exportamos minério de ferro e importamos geladeiras, exportamos couro e importamos bolsas, exportamos café em grão e importamos café solúvel, pagando o dobro do preço da matéria-prima. Fala-se que este país não tem uma política industrial e nem de desenvolvimento. Aí vai minha sugestão: substituir em 50 anos a exportação de commodities pela de produtos industrializados feitos aqui. Que efeitos teriam? Alguma choradeira daqueles que já se acostumaram com o Brasil-colônia, óbvio, mas um benefício ao desenvolvimento da nação inteira: creio que dobraríamos o PIB em pouco tempo e multiplicaríamos nossa participação no comércio mundial.

SELO VEGETARIANO NOS RÓTULOS!



Escrevi um e-mail para o deputado federal do Partido Verde Fernando Gabeira, mas não recebi uma resposta. Acho que os políticos só prestam atenção às coisas que dizemos quando ouvem o barulho da multidão se aproximando do congresso. Um indivíduo parece não fazer diferença. Viva a democracia, governo da maioria! Naquele e-mail sugeri um selo que constasse nos alimentos e em outros produtos que identificasse quais têm matéria-prima animal em sua constituição e quais não têm. É que quando se é vegetariano, ficamos mais atentos aos ingredientes. Por exemplo: certo dia comprei balas feitas com algas e para dar a cor vermelha eles esmagavam conchonilhas, que é um pequeno inseto, acho eu. Maionese é outro exemplo: levam ovos que, segundo um funcionário de uma empresa, ovos férteis, também, isto é, aquele que, se postos a chocar, gerariam uma nova vida. Já os queijos em seu processo de coalho, endurecimento, têm adicionado ácido, muitos deles extraídos dos estômagos dos bezerros.

Acho que um SELO VEGETARIANO poderia despertar a consciência de outras pessoas e o sentido moral: talvez elas se habituem a perguntar: esta decisão que estou tomando trará que conseqüências e para quem?


PS.: Vi na televisão uma cena de rodeio, onde um homem adulto corre atrás de um bezerro (filhote bovino). Para eles isto é exemplo de masculinidade, para mim, de imbecilidade!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Receita do sentido da vida

Pegue todas as teorias filosóficas e poemas que tratam do tema. Misture tudo. Leve à mente. Após uns trinta minutos ou anos (dependendo da temperatura do forno) você já pode experimentar. Rende uma porção, pois é uma receita de auto-conhecimento.

* Lao-Tzé: Autor do célebre livro “Tao-te-Ching” (O livro do caminho da verdade), defende a fuga do pensar, pois crê que os pensamentos são “uma coisa superficial”, que se usa para persuadir os outros e “mais nocivo que benéfico. Assim, o caminho sugerido é uma vida simples, onde se rejeita o uso do intelecto(da mente) e busca-se o silêncio. Por quê? Porque todas as coisas na natureza trabalham em silêncio. Passam a existir, exercem a função que lhes cabe, nada possuem e, depois de tudo, desaparecem, retornam à origem, ao descanso, seguindo o seu destino. Por trás disso há uma lei eterna e conhecê-la nos faz sábios. E como se transmite a sabedoria se ninguém falar? Segundo Lao-Tze, por meio do exemplo e da experiência individual de cada pessoa

* Heráclito: “Por que o fogo não é sempre fogo e por que é ora água, ora terra? (por que as coisas mudam?) Porque a vida é um jogo”. O sentido da vida, para ele, consistiria em uma eterna mudança das coisas.

* Demócrito: Não muito diferente de Heráclito, para ele só há mistura e separação das coisas em uma existência sem começo e nem fim, eterna. Para ele “a vida sem festas é como um caminho que não tenha onde nos hospedar”.

* Sócrates: a vida requer reflexão, do contrário ela não em sentido. Perguntar o por quê das coisas antes de agir precipitadamente, falar sobre a sabedoria e as demais virtudes e como podemos alcançá-las, esta é, para ele, a maneira correta de viver. Já viver na ignorância tem pouco valor para ele.

* Diógenes: Via-se como um cidadão do mundo, ultrapassando as fronteiras das cidades (polis). Seu propósito, objetivo de vida, é fugir dos prazeres, guerrear contra eles, a fim de purificar a vida e a alma. Seu ensinamento: viver através de uma vida árdua, onde o único bem é o manto que veste, onde dorme no chão, bebe água e come o que encontra ao acaso e foge de qualquer amizade diferente de outro pensador, Epicuro, que via nela a felicidade possível de ser alcançada.

* Marco Aurélio: Dizia que somos uma parte do universo e nem nossa forma e nem nossa matéria perecerão. Não deixe de haver na alma disputas internas, nem se afaste dos outros, pois, por natureza, somos todos amigos. Assim, verá as coisas humanas como “fumaça e nada mais”.

* Thomas Hobbes: o fim, a finalidade da vida, é buscar o poder. E isto se faz através da riqueza, da honra, da beleza, da eloqüência, da força física e do conhecimento, embora veja a Ciência como um pequeno poder, pois ela é compreendida por poucos.

* Pascal: O sentido da vida e toda a dignidade de nossa existência reside no pensamento. Devemos investigar dentro de nós e não a nossa volta, nem em bens materiais. Se procuramos um sentido no espaço físico e em bens, o universo, pelas suas dimensões nos “tragará”, devorará como um ponto.

* Kant: O fim (finalidade) da existência não é ser feliz, mas, por meio do uso da razão, dirigirmo-nos à construção de uma boa vontade e, com ela, buscar Deus.

* Hegel: Diz ele que “somos espíritos finitos em busca do infinito. Estamos amarrados à matéria, (mas) mantendo o firme desejo de não ser o que a natureza nos tornou. Nossos pensamentos procuram a mais alta região da verdade” e, assim, podemos fugir do constrangimento que o finito nos impõe. E na negação disso que podemos alcançar o absoluto, a totalidade suprema, Deus. Quando vemos nosso corpo ou um objeto externo, não devemos pensar que isto é o que existe, mas, sim, que isto é parte de algo maior. O mundo, para ele, é o (único) espírito que quer conhecer a si próprio.

* Jean-Paul Sartre: a vida não tem um sentido a priori, antes da vida, antes de nascermos e vivermos. Nós é que podemos lhe dar um sentido. Nem o homem pode ser um fim em si mesmo, porque, também ele está sempre por fazer-se. O fim, portanto, acrescenta, só pode estar fora de nós, especialmente na vida em sociedade e na participação política.

* Mário Quintana:
- “Se as coisas são intangíveis... Ora, não há motivo para não querê-las. Que triste os caminhos se não fora a presença distante das estrelas”
- “Nada jamais continua, tudo vai recomeçar”
- “Eu estava dormindo e me acordaram. E me encontrei num mundo estranho e quando começava a compreendê-lo um pouco já era hora de dormir de novo”
- “Vale a pensa viver mesmo que seja para dizer que não vale a pena”

Contra os males do mundo: Nietzsche, 2x ao dia



Às vezes me sinto muito só. Mas, depois de ler qualquer coisa de Nietzsche, me sinto muito melhor. Ao contrário de Schopenhauer, ele é o filósofo do otimismo, mesmo que a casa esteja vindo abaixo!


Foi Nietzsche quem defendeu a teoria de que este mundo se repete infinitamente. Há um trecho de um texto (livro Gaia Ciência : 341) que diz: “Imagine que em uma noite um demônio vem nos visitar e estamos na mais solitária solidão. Ele vem dizer que esta vida que vivemos, a viveremos infinitas e repetidas vezes, as velhas dores e os velhos prazeres. Não nos lançaríamos no chão, rangendo os dentes e rogando maldições? Esta idéia nos seria um peso insuportável ou aceitaríamos esta eterna confirmação de nossa vida?”



Embora eu não concorde com esta tese, porque não há em nenhuma parte do universo ser ou objeto inanimado que seja o mesmo, mas, está em constante mudança. Não sei porque Nietzsche pensou isso, pois ele mesmo atribuiu à mente a crença - ilusória - na existência de um princípio da identidade, isto é, uma coisa - A - é igual a si mesma; "A = A". Ele disse que houve uma época em que só havia seres que viam tudo em mudança, tal como são as coisas no mundo, uma boa explicação, mas, creio, mítica, mitológica, pois como as bactérias vivem juntas se não existisse algo que as reconhecesse como parecidas, quase idênticas, ainda que ilusoriamente?

P.S.: É um erro dizer que ele foi o pai do Nazismo. Em seus últimos escritos lê-se claramente que seu repúdio a toda a forma de excesso de Estado, Socialismo e Fascismo em detrimento da expressão individual. O super-homem, para ele, não é uma raça inteira, mas raras e solitárias aparições e realizações pessoais.

Minha tese sobre duração ou minha teoria revolucionária do tempo


Proposta de relógio com 10 horas apresentada no Congresso internacional de Sistema Métrico (séc. XIX)

Enviei certa vez (24/01/2006) um e-mail para um doutor em Psicologia da USP minha tese sobre duração que, pensou eu, é minha maior contribuiçãoà História das idéias filosóficas. Nem preciso dizer de sua apatia diante da minha teoria. A carta é a seguinte: Prezado sr.:
Minha tese começa com a rejeição de que as sensações de que o tempo passe ora mais rápido, ora mais lentamente tenham origem psíquica, do contrário por que a nossa mente faria surgir a duração curta nas experiências agradáveis – ou, mais precisamente, quando elas cessam - e a duração longa, nas experiências desagradáveis? Se a mente pudesse alterar o tempo, por que não alteraria em seu próprio benefício, ou seja, duração curta para experiências desagradáveis e duração longa para experiências agradáveis?
Que neurose ou desejo reprimido – para usar a linguagem freudiana - toda a humanidade tem em comum, que faz todos nós alterarmos o tempo deste modo? Imaginemos um público assistindo uma palestra sobre um tema que é agradável para alguns e desagradável para outros. Entre o primeiro grupo, não surgirá percepção de tempo, enquanto que no segundo, surgirá percepção de tempo longo. Assim, nem procederia, como possível explicação, crer que participemos de uma “neurose coletiva”, pois, se isto fosse verdade, deveríamos perceber simultaneamente idênticas percepções em idênticas experiências. Mesmo para aqueles que crêem que exista uma duração externa que fosse alterada pela mente humana, seria preciso que oferecessem respostas a duas questões: (1) de que material é feito esta duração que pode ser alterada pela mente; (2) que tipo de operação mental poderia comprimir ou distender o tempo? Ao distendê-lo, a mente, adicionaria mais tempo e de que lugar ela tiraria mais tempo? Rememorando nossas próprias experiências, relembramos que, quando a duração parece rápida, geralmente, estamos vivendo alguma experiência em que não percebemos o que está ou estava diante de nós; por outro lado, quando percebemos que a duração se arrasta - é longa -, em geral, ela ocorre quando o objeto que afeta nossa consciência, é, por nós, percebido repetidas vezes. Uma vez alcançadas estas observações, nossa investigação estancou ali mesmo. Lembramos, então, que René Descartes, na obra “As paixões da alma”, escrevera que o processo de rememorar uma experiência passada, requer a passagem pela memória dos “espíritos animais” – o que equivale, hoje, aos impulsos elétricos – para que, então, nossas lembranças fossem trazidas à nossa consciência. Embora a explicação deixe a desejar - parece um mito antigo -, ainda assim, serviu para nos mostrar que a memória poderia ser algo orgânico e que, se o fosse, então seu funcionamento poderia ser comparado ao de outros órgãos do corpo.
Convém pararmos um pouco esta investigação, para explicarmos porque cremos que é na memória que surja o que chamamos de duração. Há uma justificativa teórica e outra prática: John Locke acreditava que a duração surgisse na sucessão de nossas idéias e, não havendo, para ele, nada dentro de nossa mente exceto a memória, era lá que surgiria a duração. Mais tarde, no século XIX, Franz Brentano, desenvolveu a tese da “associação imaginária”, não muito diferente do que Leibniz, séculos antes, já havia especulado: a de que a duração surge a partir de uma primeira sensação, sendo que a primeira percepção é instantânea e, só posteriormente, a partir das sensações seguintes, surge-nos a percepção de duração. É claro que nestes dois últimos pensadores não há qualquer referência à memória. Por isso, uma experiência prática foi decisiva: nossa curiosidade foi despertada quando víamos pela segunda vez um mesmo filme e percebemos que na segunda exibição o filme parecia ter passado mais rápido (durado menos) do que na primeira vez. Ora, estava claro que a memória estava envolvida no surgimento da duração!
Assim, rejeitamos, por ser tão pouco crível, teses como a de Platão, de que relembramos as experiências vividas antes da alma vir para o corpo, no mundo divino ou, ainda, a de Santo Agostinho, de que a memória é uma das faculdades de uma alma imortal e, distinta do corpo físico.
Então, para nossa surpresa, recomeçamos a investigação sobre o que é a duração: para isso, comparamos a memória – supondo-a um órgão físico - com um outro órgão qualquer, como, por exemplo, o estômago. O que acontece em seu funcionamento? Quando temos fome, podemos nos alimentar menos, igual ou além do que o volume do estômago permite. É claro que podemos aumentar a sua capacidade, em função de sua elasticidade, mas isto não se faz de modo tão imediato. O que nos interessava no momento é saber se a comparação com a memória poderia nos ser útil. Tendo a memória, também, uma capacidade limitada, tese que a nossa vida diária confirma, diante de tantos problemas mnemônicos que temos, precisávamos saber por que ocorre dentro dela isto que chamamos de duração: se no estômago há as três situações descritas antes, também, no órgão responsável pela memória deveria haver semelhantes situações: obviamente, na memória, o alimento é substituído por sensações. E, na relação, entre a retenção destas sensações e a capacidade da memória de retê-las é que – especulamos - surgiria o fenômeno da “duração”.
Assim, nos aproximamos passo a passo da seguinte resposta: se as sensações fossem insuficientes para preencher a capacidade normal da memória, uma dor surgiria nela; se as sensações ocupassem a mesma capacidade da memória, a dor cessaria e um prazer – como acontece com o estômago – surgiria; e, finalmente, se as sensações fossem superiores à capacidade, outra dor surgiria – como, também, ocorre no estômago, quando o sentimos “pesado”, após consumirmos muita quantidade de alimentos. Nossa conclusão é que aquilo que chamamos de duração consista em dois tipos de dor, ambas localizadas na memória, a partir do processo de retenção das sensações. Uma dor por insuficiência e outra por excesso de sensações. Se esta tese (ou hipótese) estiver certa, pergunto-lhe: qual o impacto que teria na Psicologia, se um dia for provado que há um outro tipo de dor, até agora não identificada como tal, interferindo nas nossas ações cotidianas, de um modo constante e intenso? Agradeço pela atenção de V.Sa. e coloco-me à disposição para qualquer esclarecimento e sugestão,

Animais racionais

Às vezes sinto-me como um advogado do "superior tribunal da razão": é que sinto-me no dever de revelar as sutilezas dos pensadores antigos e onde eles falharam: quando Aristóteles disse que os somos animais racionais. Ora, em um primeiro momento dirão que no grupo dos animais, há uma espécie que é racional em contraste com a irracionalidade das demais. Ocorre, no entanto, que a racionalidade só se manifesta, porque fazemos parte dos animais. Aliás, quem lê São Tomás de Aquino, observa que ele atribui a razão aos humanos e não aos anjos seres espiritualmente mais elevados, pelo menos em sua imaginação... É, assim, necessário ser animal para se tornar racional e não o contrário!!
E por que o monopólio da razão a uma espécie? Que espécie? Digo para meus alunos que ser humano é ter a forma humana, mas saímos, todos, de uma mesma fôrma, como uma forma de bôlo? óbvio que não. Então, não há uma forma ou espécie humana, apenas somos parecidos. A palavra "parecido" significa o quê, exatamente: igual ou diferente? Ela está mais próxima de diferente ou igual em alguns aspectos, mas, ainda assim, diferentes, porque somos únicos. Quando a amostra grátis de presidente George Sitter (não Walker) Bush invade o Iraque e mata 100 mil civis ou mais, seus assessores (abutres e não gaviões, pois os primeiros é que gostam de carniça), dizem que aquelas mortes são um efeito colateral mínimo em prol da nascente democracia e, não dizem, mas está implícito, que não se trata de genocídio, pois eles defenderiam e preservariam a espécie como um todo . Mas, o que eles fazem ou mandam fazer é matar 100 mil seres únicos, que não existem em outra parte do universo e não existirão mais. Voltando à questão da razão nos animais: pelo menos os meus são racionais, agora, os animais do leitor, bem, aí são problemas seus!


P.S.: Tenho observado que os vira-latas são mais inteligentes que os de ditos de raça! O Bobbi (branco com marrom) da foto lá de cima: ensinei-o a abrir portas e, hoje, ele abre qualquer uma, desde que seja uma maçaneta que permita a ele, com a pata, abaixá-la. As maçanetas redondas ele não abre.

A feira de livros e o futuro da língua portuguesa.

“O qe doe, o qe eizaspera, o qe qonfrange ainda a vontade a mais forte – é ter lutado inseçantemente qontra os autores de tantos qrimes”... (Qorpo Santo, Novembro de 1868)
Em época de Feira de Livros, é oportuno perguntar: para onde vai a nossa língua “mater”, propriedade de todo o povo brasileiro? Que queremos uma língua perfeita, da qual nos orgulhemos, que os nossos alunos a aprendam sem perguntar sobre suas contraditórias regras, ninguém tem qualquer dúvida. Mas, como chegar lá?
Um bom método para buscar respostas nos foi dado no século XVI por Descartes: devemos comparar algo que queremos conhecer com aquilo que já conhecemos. Em teoria é fácil, mas na prática... Propomos, aqui, comparar o interesse de muitos gramáticos brasileiros por uma unificação das variações ou “dialetos” de nossa língua portuguesa com o sistema comunista, no qual uma “nomenklatura” entende possuir um direito natural de estabelecer regras e vocábulos oficiais, mediante um simples decreto. De outra parte, imaginemos os defensores do liberalismo político e econômico: dirão eles que nenhuma artificialidade fará o que apenas o mercado – editorial, por exemplo – pode fazer, isto é, uma língua só se afirma como universal se ela tiver características que facilitem esse objetivo. O inglês, por exemplo, é fácil de aprender, têm regras muito simplificadas, basta ver a conjugação dos verbos (I study, you study, he/she/it studies, we study, they study), onde só se observa variação em uma pessoa do singular, para citar um exemplo. Além do mais, as pessoas e os mercados preferem-no, pois é com ele que comercializam com a maior potência econômica do século XX e, por mais algum tempo, também no século XXI. Difícil, contudo, crer que nossos filhos ou netos venham estudar o mandarim, apesar de a China já ser a nação que mais exporta no mundo: é que há milhares de ideogramas, o que torna difícil seu aprendizado e uso. Há exemplo no passado disso: a língua grega permaneceu em uso mesmo após a decadência de Atenas e das outras cidades-estado gregas.
E como fica o nosso idioma? Vejo duas alternativas:
(a) que nossos gramáticos inspirados pelos melhores propósitos tentem a poucas mãos unificar nossa língua com as suas irmãs d’além-mar, o português de Portugal e o das antigas Colônias portuguesas na África, destacadamente, Angola e Moçambique o que levará uns quinhentos anos se tudo der certo ou, então,
(b) simplificarmos nossa língua portuguesa, do Brasil, inspirados em alguém radical como o escritor gaúcho Qorpo Santo, por exemplo e, paralelamente, rezar e, também, pressionar para que os governos brasileiros permaneçam retos no objetivo do crescimento econômico e da distribuição justa de renda, para que, finalmente, um dia, o Brasil faça parte do pequeno grupo de países realmente desenvolvidos. Só assim, haverá uma unificação da língua portuguesa, tendo como centro o Brasil. Pensar que possa haver uma unificação de com três centros distintos (Brasil, Portugal e África, é um tipo raro de ignorância intelectiva.

Ano 2034: o fim da violência no Brasil.

Não há quem não deseje saber se o Brasil dará ou não certo, se resolverá um dos mais graves problemas: a violência. Quereis conhecer o futuro? Aqui no ano de 2034 os roubos, furtos, seqüestros–relâmpagos, assassinatos são tão raros que as pessoas têm dificuldade de entender a que coisas estas palavras se referem. Mas, como é que as pessoas do futuro conseguiram pacificar a sua sociedade? A mudança de percepção ocorreu quase ao mesmo tempo em que foi lançado no cinema uma obra escrita na primeira metade do século XX: “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley. É uma obra de ficção onde no século no futuro as pessoas nasciam “em vitro” em laboratórios privados e não mais em úteros. As doses de oxigênio eram ministradas aos fetos de três modos: alguns recebiam o máximo, outros, recebiam a metade e outros, uma porção diminuta. Os primeiros se tornavam líderes daquela sociedade futurista, outros burocratas de nível médio e a maioria, trabalhadores braçais.
O que causou o maior alvoroço na intelectualidade e mesmo na passiva classe média foi que um intelectual acusou a todos de cegueira, pois pensavam que o filme se tratasse de um olhar sobre um futuro muito distante, quando, na verdade, estavam todos olhando para a própria imagem refletida presente. Causou tanta comoção esta nova interpretação daquele filme que o governo não teve outra alternativa: investir pesado em educação, remunerando os professores a um tal patamar a ponto de que eles se sentissem novamente líderes de uma nova geração. Antes, mal adentravam nas salas de aula e logo desistiam, já sem autoridade nenhuma. Agora, entre os professores encontrávamos pessoas portadoras de teorias inéditas concebidas por eles mesmos e não mais carregadores de teorias importadas. Antes, o monólogo entediava os discípulos, agora a busca por aprofundar áreas de interesse os tornava pesquisadores em tempo integral e não conhecia limites. Havia mais escolas e fechavam-se presídios.
Os adultos que estivessem presos e que tivessem forçado suas vítimas a fazerem coisas que não desejavam, permaneceriam presos até que pagassem a sua pena, agora com celas refrigeradas, pois nem animais selvagens merecem torturas e com bibliotecas e com um tempo para trabalhar e, assim, pagar o custo de sua manutenção. Uma alternativa barata foi pôr em cada cela uma bicicleta que, quando em movimento, gerava energia elétrica.
Sobre as drogas, a principal causadora de violência no tempo em que vocês estão vivendo aí, elas foram legalizadas, mas somente para adultos com emprego fixo e estabilidade emocional e deixaram de ser novidade, pois quem pode desejar destruir a si mesmo, a única coisa que acontece com quem as consome? Quando alguém as oferece na entrada de bares específicos para o seu uso, a maioria das pessoas responde: por que eu destruiria meu corpo? O que antes era um modismo – perguntar o “por quê” das coisas-, agora é um sólido costume.
São outros tempos, aqui. Só há um único imposto eletrônico, deduzido a cada débito realizado. Todos pagam uma taxa de nove por cento, na média. Usamos o gás carbônico da atmosfera para produzir proteínas e carboidratos e, assim, não matamos os animais e nem devastamos florestas. Os carros dirigem-se sozinhos e, por isso, ninguém mais insiste em acertar os postes que, aliás, são todos subterrâneos, à exceção daqueles que nos dão as últimas notícias, incluindo esta que acabo de ler: “O ministério da saúde adverte: sorrir em excesso pode provocar cãibras nos maxilares”.

Tropa de elite ou tropa da Plebe ?

Vi horrorizado no jornal nacional de quarta-feira, dia dezoito de outubro último, a polícia atirando em dois “soldados” do tráfico de drogas, frutos da superpopulação e da falta de controle populacional, que não deviam ter mais de vinte anos cada um e que corriam morro abaixo tentando desviar dos tiros e... desarmados! E, se estavam desarmados, então o comportamento dos policiais (ou justiceiros?) era inaceitável. Em uma situação dessas deve-se dar voz de prisão, encaminhar o criminoso até uma delegacia, lá, então, registrar o crime cometido, tomar depoimentos, listar provas e mantê-los presos ou fixar fiança até que sejam julgados por um tribunal de justiça, por um juiz e por um júri. Mas, não foi o que se viu pela televisão: vimos todos um julgamento sumário onde o justiceiro identifica o criminoso e o julga instantaneamente. Milhões viram a lei de talião sendo aplicada: olho por olho, projétil por projétil....
Não sei se só eu ficou horrorizado, mas não creio que tenhamos sido muitos. Infelizmente, parece-me que a maioria aplaudiu. Quando dizem que o filme “Tropa de Elite”, sucesso nacional por boas e justificadas razões (faz o Brasil olhar nos olhos do Brasil sobre um de seus problemas crônicos: drogas, miséria e violência) é um filme fascista, tende-se a fazer o que é costumeiro e mais fácil: culpar os meios de comunicação, o que inclui o cinema. Ora, quem mostra o que acontece todos os dias nas nossas metrópoles é culpado de quê? Corremos o risco de ter que estabelecer um novo delito: o delito de dizer a verdade. Ou, o que é muito pior, de não ter dito a verdade que a maioria queria ouvir.
E quando o jornal nacional mostrou a polícia caçando um ser humano, ainda que um dos piores exemplos da espécie, nada mais fez do que mostrar uma imagem de algo que acontece há muitos anos. Preferiríamos não ver? Certamente, muitos diriam que sim, desejosos de receber em suas casas um mundo belo, ao simples toque do controle remoto, mesmo que seja artificialmente belo. Um desejo de que a televisão zele não pela verdade, mas pela profilaxia da vida. Mas, essa tão desejada higiene mental tem um nome popular conhecido por todos: lavagem cerebral.Agora, sei, na prática, depois daquela imagem da perseguição de lobos dos homens, pois o maior predador do homem é o próprio homem, como observou Plauto, Hobbes e Freud, nesta ordem cronológica, como surgem as ditaduras, os fascismos e os nazismos: as pessoas querem respostas rápidas para questões que as incomodam. E por que preferem isso? Porque pensar cansa e se responsabilizar por decisões difíceis cansa mais ainda. Liberar as drogas, incluindo-as entre duas outras drogas já consumidas livremente, o álcool e o tabaco, limitando seus usos a faixas etárias, horários e locais, reduziria drasticamente as balas perdidas e a justiça com as próprias mãos.

Ouvidos do mundo inteiro: uni-vos contra os celulares!

Gosto de planejar minha vida, hábito que se tornou uma mania, dessas que a pepsicologia e a pepsiquiatria (são como refrigerantes que, no início, estão cheios de gás, mas, no fim, não passam de água com açúcar) chama de compulsivo-obsessiva-bipolar-etc. Mas, como as faculdade de Administração de empresas ensinam e só ensinam isso, administrar é "planejar, organizar, dirigir e controlar", embora não ensinem a pensar. Se o fizessem, chegariam à conclusão que planejar é imaginar o futuro e, por isso, me sinto mais à vontade para defender minha mania de planejar tudo: eu gosto é de imaginar, antes que as coisas aconteçam. Agora, não consigo planejar (imaginar) minha vida com um celular (tamagochi para adultos). Eu até compraria um se não viesse com tantos penduricalhos: tela colorida, toques polifônicos, câmera, games, ect. Eu só preciso de um telefone que receba e faça ligações, tenha teclas (numéricas bastam) e, no máximo tenha uma bina ou, talvez, nem isso.

livros didáticos: sim ou não?

Não uso livros didáticos com meus alunos por algumas razões:
(1) os editores pensam que a linguagem dirigida para alunos universitários pode, também, ser utilizada para alunos de ensino-médio, um erro gravíssimo. Adolescentes, embora tenha notado uma rapidez de pensamento, são como alunos que estão se alfabetizando: precisam do conhecimento mastigado. Meus alunos - são de uma escola pública de Porto Alegre - me perguntavam sobre o que é causa e como fazer um resumo, perguntas que não se espera que um aluno universitário faça, embora, infelizmente, talvez, façam, graças a desgraça da qualidade do ensino. Para eles, também, deve-se ensinar mastigadamente...
(2) Nenhum autor consegue reunir todas as áreas de conhecimento filosófico e se fazem isso, fazem-no de modo incompleto. É preferível usar diversas fontes: há muita coisa boa na Superinteressante, sem fazer propaganda, textos disponíveis de graça na internet no site deles, há a revista Mundo Jovem, da Puc de Porto Alegre, há, ainda, notícias de jornais. Os adolescentes gostam de filmes e pedem-nos muito, mas o problema é qual escolher. Comprei o DVD do "Waking life", mas tem uma cena em que a pessoa põe fogo em si mesma e... eu não acho uma imagem adequada para adolescente ver.

Os sábios chineses e o silêncio

Nada na vida é preto ou branco. O silêncio que Lao-Tzé ensinou seus pares a praticar pode ser o mesmo silêncio que faz com que as fábricas mantenham milhares ou milhões de escravos-operários.
Acredito que há momentos em que se deve pensar, especialmente quando há um "empate" entre as alternativas em nossa mente; há outros momentos em que o pensar é inútil. Aliás, vou mais longe: acho que não pensamos porque temos livre-arbítrio, mas, sim, paramos para pensar, porque não sabemos o que fazer. Isto parece óbvio, como tudo na nossa complexa existência... O problema é que falar é uma continuação do pensar e quanto mais pensamos e falamos, pois mais e mais não sabemos o que fazer. Assim, podemos, como Lao-Tzé, não pensar para que não tenhamos dúvidas ou mais dúvidas. Ou, melhor, para que não tornemos um hábito pensar, isto é, não nos condicionemos a pensar mesmo sem necessidade.
O que fazer, então? Sou professor de Filosofia para alunos de Ensino Médio e trabalho com textos antigos visando estimulá-los a pensar. É um erro? Creio que o único critério, sidarta-aristotélico, seja o meio-termo: há um ou mais períodos da vida em que temos dúvidas, especialmente na adolescência, mas duvidar ou pensar não deve ser supervalorizado. É como ter ferramentas em casa: você tem à disposição uma chave de fenda ou alicate, mas você não vive com eles andando por aí.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O mundo perdeu uma überFrau


No dia 25 de novembro de 2007, às 9h15 de um domingo faleceu minha mãe. Em quatro dias uma visita curta para fazer exames e conter uma infecção urinária se tornou uma infecção renal e daí... uma infecção generalizada. O que um filósofo pode dizer sobre isso? A morte vista como uma senhora alta, com manto escuro, cobrindo o rosto, aliás, cobrindo a caveira e o esqueleto, como foice na mão, deixa de fazer sentido: a morte é o desligamento do corpo, uma interrupção do sofrimento, uma vez que o corpo não pode mais funcionar bem. Até hoje, 22 de janeiro, eu procuro relembrar as imagens que vi, as visitas ao quarto, pois parece que falta alguma imagem, pois a experiência se mostra imcompleta: como um ser vivo deixa de ser vivo. Óbvio dirão os médicos, os rins e o fígado deixam de funcionar. Claro, mas porque uma parte se sobrepõe ao todo. Isto é que é incompreensível! No velório havia um mural onde as pessoas podiam escrever mensagens à minha mãe. E eu, filósofo, leitor de pensadores antigos como Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Descartes, Sartre, não escrevi nada. Por quê? Porque me pareceu mais correto seguir Lao-Tzé: foge do pensar! Todas as coisas na natureza trabalham em silêncio!
Perguntaram-me se eu acreditava em uma vida depois da morte e eu respondi que não: nós e a minha mãe já não somos mais os mesmos que fomos a milésimos, milionésimos de segundos atrás. Assim, qual deste bilhões, trilhões de Antonios mereceriam a eternidade?

O mundo perdeu uma "supermulher", alguém que amava demais tudo o que fazia e se destacava sobre o rebanho, como dizia Nietzsche. Ele, também, disse que estas pessoas raras não deixam seus caracteres para descendentes, o forte não se perpetua e, além disso, tem uma vida breve.

O poder das cores




Estou reformando o meu quarto: substituí o armário que ocupava uma parede inteira, a cama de madeira e o colchão pesado por algo menos e mais prático. E reparei que o armário de quatro portas de metal que comprei (semelhante aos armários de academias) tinha as cores branco e vermelho e junto com minha pequena e portátil academia de fitness, cujas cores são vermelho e preto, poderiam juntos formar um belo quadro ou quarto. Não me interessava por Arquitetura ou Design, achava supérfluos, mas não são! As cores satisfazem um necessidade puramente mental, como se os neurônios tivessem uma fome específica, fome que pode ser satisfeita assistindo o programa de TV aos domingos ou, então, absorvendo a imagem do por-do-sol do Guaíba!

Em minhas reflexões filosóficas, no livro que ainda não foi publicado, "O mito do tempo, do ego e das leis", trato desta questão e creio tê-la resolvido assim: aquilo que chamamos de duração é uma dor sutil localizada na memória (já repararm que ao assistir um mesmo filme duas vezes, na segunda exibição ele parece durar menos? Por causa das imagens que já estão em nossa mente!).
O que isto tem a ver com o sentimento de beleza? Tudo. Um objeto belo, cujas partes estão em harmonia ou não predominam umas sobre as outras, extingue uma duração (dor na memória).
Quem quiser ler mais (se houver alguma alma interessada) eu coloquei o livro no Google Books em inglês: The Myths of time, ego and laws. Nele escrevi sobre tudo, todas as coisas, é minha doutrina filosófica ou um conjunto de respostas possíveis às perguntas existenciais.

Entrei na Matrix !

Aqui estou: sentado na frente do meu computador, escrevendo meu Blog! O mundo da informática me pareceu inóspito... Tentei de várias maneiras encontrar um tradutor que me fizesse entrar neste mundo paralelo: pesquisei gente que faz sites e os hospeda na internet e tentei sozinho fazer um para mim. Mas o que eu queria era algo simples, que me exigisse apenas fazer o que eu sei: digitar! Isto eu sei. Mas para que finalidade eu quero estar aqui? Para falar não de mim ( para isso as pessoas entram no Orkut ) , mas para falar das teorias filosóficas dos antigos, das minhas próprias e de quem mais se interesse por isso!